quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O ataque terrorista

Said e Ahmed eram dois irmãos muçulmanos. No momento, por força das circunstâncias, ambos estavam desempregados, o que fazia com que se sentissem tristes e à margem da sociedade. Mas logo isso iria mudar.

Baseados no exemplo de vários outros familiares, amigos e conhecidos, eles tiveram uma excelente ideia, que traria um novo sentido às suas vidas. Eles decidiram se preparar para o que, segundo o livro sagrado, o Alcorão, seria uma ótima oportunidade de carreira: o martírio. Como normalmente essa prática envolvia amarrar no próprio corpo uma quantidade substancial de explosivos para poder se explodir como uma bomba, essa seria uma carreira bem curta, é verdade, porém bastante promissora.

Said e Ahmed, como fiéis praticantes do Islamismo e leitores ferrenhos das escrituras, sabiam muito bem que tornar-se um mártir da fé islâmica era a melhor coisa que uma pessoa poderia fazer na vida. Todo mártir agradava a Deus e, como consequência disso, recebia a maravilhosa recompensa de desfrutar de uma felicidade eterna após a morte. As bênçãos de Deus para um mártir eram inúmeras. Além disso, este ato era, sem dúvida, um dos maiores atos de altruísmo que um muçulmano poderia praticar, pois o mártir não apenas garantiria para si um pedacinho no Paraíso, mas também poderia escolher 70 familiares para uma eternidade de júbilo e glória. E como a família desses dois irmãos era muito grande, eles resolveram fazer isso juntos, para poderem contemplar o dobro de familiares. Além de tudo, não podemos nos esquecer, ainda tinha outro benefício extremamente tentador: 72 virgens lindas, jovens, perfumadas e exclusivas para cada um deles. E o melhor: sem burcas, completamente nuas. Só de pensar nisso, os dois irmãos ficavam totalmente empolgados, e não viam a hora de se explodir pelos ares, matando consigo a maior quantidade possível de malditos infiéis, para poderem coletar a tão desejada recompensa. O que mais alguém podia querer da vida – melhor dizendo, da morte?

Depois de uma longa conversa sobre possíveis alvos, eles decidiram o local que iriam atacar. Era um estabelecimento que há tempos vinha desrespeitando de uma forma vil e ordinária os preceitos da crença islâmica. E eles se sentiram na obrigação de defender a única religião que pregava a verdade. Eles queriam, acima de tudo, vingar o grande profeta Maomé, cujos ensinamentos estavam sendo repetidamente menosprezados. Sendo assim, depois de um minucioso planejamento, discutiram os últimos detalhes do plano.

– Então, Said, só para confirmar, são quantos familiares que nós dois temos direito de escolher no total para ir conosco ao Paraíso? – perguntou Ahmed.
– Deixa eu ver aqui. São 70 para cada um, né?
– É.
– Então... fica... 140 no total, para nós dois juntos.
– 140? Tem certeza?
– Tenho! Já fiz as contas. Tá aqui anotado, olha só! – afirmou Said, mostrando um pedaço de papel com o número.
– Cara, não é que eu esteja duvidando de você, mas para garantir, vamos só verificar na calculadora para ver se essa conta está certa mesmo.
– Tá bom. Cadê a calculadora?
– Tá ali em cima da mesa – apontou Ahmed.

Said pegou a calculadora em cima da mesa e perguntou:

– A operação é soma, né? Ou é multiplicação?
– É soma! – confirmou Ahmed.

E Said refez a conta:

– 70 + 70 = 140. É isso mesmo!
– Ótimo! Você já fez a sua lista?
– Já.
– Deixa eu dar uma olhada.
– Pra quê?
– É que eu estava pensando aqui, e tô com medo de a gente ter escrito nomes repetidos, sabe. É melhor cada lista ter nomes diferentes, para a gente levar pro Paraíso o maior número possível dos nossos familiares. Então a gente tem que combinar quem vai chamar quem. Entendeu?
– É mesmo! Boa ideia! É melhor a gente conferir as duas listas. Como você é inteligente, Ahmed!
– Obrigado!

Os dois irmãos compararam as duas listas de familiares que iriam ser contemplados com os convites. Eles verificaram que, de fato, havia um grande número de nomes repetidos de primas deles que ambos tinham incluído nas respectivas listas. Possivelmente devem ter imaginado que as primas poderiam fazer parte do conjunto das virgens, por isso a preferência na escolha. Discutiram um bom tempo para saber quem iria ficar com quais primas no Paraíso. Depois de chegarem em um acordo e distribuírem satisfatoriamente os nomes das primas nas duas listas, tiveram que incluir ainda outros nomes diferentes, de tias, tios e parentes mais distantes, com quem não tinham tanto contato, só para cumprir tabela. Tendo concluído o assunto dos nomes dos familiares, discutiram outros detalhes.

– Então, quando é que a gente vai executar o plano? – perguntou Ahmed.
– Por mim, pode ser amanhã – respondeu Said.
– Amanhã não dá pra mim.
– Por quê?
– Tenho que ajudar a mamãe nas compras da semana. Amanhã o mercado vai estar lotado. E você sabe que a mamãe não pode sair por aí desacompanhada. Da última vez que ela saiu sozinha para fazer compras, ela foi estuprada pelo nosso vizinho, o senhor Khalid, que frequenta o mesmo mercado.
– É mesmo! O papai ficou bastante chateado com aquilo.
– Como é que a mamãe foi fazer uma besteira dessas? Como ela pôde trair o papai daquele jeito?
– Sinceramente, não sei.
– Todo mundo sabe que mulher desacompanhada não tem dono.
– Pois é.
– Pelo menos o papai é um homem calmo e compreensivo. Ele nem matou a mulher adúltera por apedrejamento, como manda a lei islâmica, a sagrada Sharia. Ele meio que fez vista grossa. Aqui para nós, ele foi até bonzinho demais com a mamãe, apenas aplicando uma punição tão branda de 30 chibatadas em praça pública.
– Tem razão! É melhor mesmo você acompanhar a mamãe amanhã no mercado.
– É. Nem quero imaginar isso acontecendo de novo.
– Alá nos livre!
– Coitado do papai! Ele não merece esse desgosto. Ele é um marido tão bons para as esposas dele.
– É verdade! Então, vamos deixar de papo-furado e vamos discutir o que interessa. Que tal quinta-feira?
– Quinta-feira dá certo!
– Combinado!

Tendo resolvido a data do ataque, Said e Ahmed foram cuidar dos últimos preparativos, como armas, explosivos e o roteiro de um vídeo que fariam com uma mensagem clara sobre a autoria e os motivos do atentado.

No dia marcado, os irmãos acordaram cedo, de tão ansiosos que estavam. Tomaram o café da manhã e foram até o quarto de Ahmed. Gravaram o vídeo com a mensagem, assistiram ao vídeo, para conferir se tinham gravado corretamente, e viram que não tinham apertado no botão REC. Gravaram o vídeo de novo – na verdade, pela primeira vez –, assistiram, e desta vez deu certo. Depois foram fazer as orações – as últimas que fariam na vida. Ajoelharam-se e curvaram-se em direção a Meca, como todo muçulmano obedientemente deve fazer. Só que logo perceberam que tinha algo errado, pois um estava de costas para o outro. Então se levantaram e começaram a discutir sobre onde era a localização exata de Meca. Ambos tinham que estar virados para o mesmo lado, em direção à cidade sagrada, para que a oração não se perdesse no meio do caminho e pudesse chegar sã e salva aos ouvidos de Alá. Um irmão acusava o outro do engano: “É pra lá”, “Não, é pra lá!”, e assim por diante. O problema era que eles tinham se mudado recentemente para um apartamento novo, e os corredores do prédio eram muito compridos e cheios de curvas para a direita e para a esquerda. E depois de passar pela porta de entrada do prédio, subir os vários lances de escadas e fazer todas aquelas curvas até a porta do apartamento, era fácil alguém ficar desorientado. Como eles dormiam em quartos diferentes, quando estavam dentro de casa, sempre tinham feito suas orações nos seus respectivos quartos, e cada um tinha uma opinião diferente sobre a direção de Meca. Só naquele momento, juntos no mesmo cômodo, perceberam que um dos dois estava enganado – ou ambos –, pois eles sabiam que Meca não poderia ter duas direções tão opostas. Ahmed lembrou a Said que já existia um aplicativo para celular com um alerta automático que tocava no horário das cinco orações diárias e apontava a direção exata de Meca. Mas Said ainda não tinha baixado o aplicativo. E Said disse a Ahmed que ele poderia usar uma bússola, que faria o mesmo efeito, e não tinha o problema de ficar sem bateria. O bate-boca durou alguns minutos, mas eles não chegaram a um acordo, pois nenhum deles queria a culpa de ter orado tantas vezes nos últimos meses virado para a direção errada. Resolveram, então, sair de casa e fazer a oração na Mesquita. O templo era o local ideal para os fiéis, pois era lá onde eles faziam o melhor que sabiam fazer: terceirizar suas opiniões e escolhas, deixando que os líderes religiosos tomassem as decisões por eles, dizendo no que eles teriam que acreditar ou não. Na Mesquita não haveria dúvida sobre a direção de Meca, pois bastava ver para onde o mulá e os outros fiéis estavam virados. Chegando lá, fizeram suas orações, que começavam mais ou menos assim: “Não há outro Deus senão Alá e Maomé é seu mensageiro. Alá é Deus e não há outro Deus senão Ele, que conhece o invisível e o visível. Ele é o Clemente, o Misericordioso! Ele é o Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande! Que Deus seja louvado acima dos que os homens lhe associam! Ele é Deus, o Criador, o Inovador, o Formador! Para Ele os epítetos mais belos”. E cada um deles continuou sua própria oração e pediu desculpas para Alá pelo possível engano nas orações domésticas quanto à direção de Meca. Depois de agradecerem todas as bênçãos divinas, voltaram para casa e continuaram os preparativos para o grande evento.

Said amarrou no seu corpo os explosivos e colocou uma túnica de tamanho GG, bem folgada, que ele tinha comprado numa loja especializada em gordinhos. Ele era um homem magro, e fez isso para disfarçar o volume extra das bombas. Ahmed, por sua vez, pegou a sua metralhadora automática Kalashnikov AK-47, que ele tinha comprado em dez suaves prestações pela Internet, usando o cartão de crédito do pai, e a escondeu nas suas costas, também por debaixo da túnica, de forma que ficasse imperceptível. O plano deles era: quando estivessem dentro do estabelecimento, Ahmed iria iniciar o ataque com a metralhadora, e depois Said explodiria tudo, para terminar com chave de ouro. Ahmed nunca tinha usado uma arma antes, então a metralhadora foi a opção menos complicada, pois ele sabia que era só abrir fogo e se movimentar para a direita e esquerda, como tinha visto nos filmes de ação do Rambo, e certamente atingiria muitas pessoas. E se as balas acabassem e ainda sobrasse algum infiel vivo, a explosão de Said terminaria o serviço, só para garantir. A parte de Said era a mais fácil, pois ele não tinha nem que mirar, só tinha que apertar um botão. Não seria nada difícil executar tudo isso, e o ataque ainda tinha a enorme vantagem de não precisar de um plano de fuga, pois, obviamente, ambos iriam morrer com a explosão. Estava tudo certo.

Na hora do almoço, os irmãos saíram de casa. Na calçada da rua, cruzaram com o vizinho, o senhor Khalid.

Salaam Aleikum! – cumprimentou o vizinho.
– Que a paz esteja sobre vós também, senhor Khalid – retribuiu Ahmed.
– Que prazer revê-lo! – disse Said.
– Como está o pai de vocês? – perguntou o senhor Khalid.
– Ele está bem. Obrigado por perguntar! – disse Ahmed.
– Por favor, digam para ele que eu mandei minhas lembranças – pediu o senhor Khalid, gentilmente.

Os irmãos se entreolharam, e depois Ahmed continuou a conversa com o vizinho:

– Acho que não vai dar, senhor Khalid.
– Mas por quê?
– É que a gente não vai voltar para casa.
– Não vão voltar para casa? Como assim? Estão com algum problema? Espero que não tenham ficado chateados comigo pelo que houve com a mãe de vocês.
– Não, claro que não, senhor Khalid, pode ficar tranquilo. O senhor estava no seu pleno direito. A mamãe não deveria ter saído sozinha. O papai já se resolveu com ela.
– Ah, que bom, fico feliz que tudo tenha se resolvido – disse ele aliviado – Então, o que houve? Será que posso ajudá-los?
– Não há nada com o que se preocupar. Nós apenas vamos ali vingar o nome do profeta. Vamos explodir um estabelecimento que tem abusado da nossa fé.
– Ah, que maravilha! Meus parabéns, meninos! Vocês realmente são verdadeiros muçulmanos, seguidores e cumpridores das sagradas escrituras.
– A gente faz o que pode! – disse Ahmed, todo orgulhoso.
– Então, boa sorte para vocês dois!
– Obrigado!

Depois de se despedirem do vizinho, Said comentou com Ahmed:

– O senhor Khalid é muito simpático, né?
– É mesmo!
– Espero que ele continue sendo um ótimo vizinho para os nossos pais.
– Ah, também espero o mesmo. Agora, vamos indo, ainda temos que deixar esse vídeo no correio.

Os irmãos foram ao correio mais próximo, e enviaram o vídeo para uma emissora de televisão, que dias mais tarde receberia a encomenda, transmitiria o conteúdo e todos poderiam se orgulhar do que eles teriam feito. Depois continuaram sua caminhada e se dirigiram até o estabelecimento.

Na porta de entrada havia um homem de pé. O homem estava bem vestido, com paletó e gravata. Quando os irmãos se aproximaram, o homem os abordou.

– Boa tarde! – disse o homem.
– Boa tarde! – disse Ahmed.
– Os senhores têm hora marcada?
– Temos sim.
– No nome de quem?
– Ahmed e Said.

O homem procurou o nome deles na lista que tinha nas mãos, em uma prancheta. Depois de achar os nomes, olhou para eles e disse:

– Sejam bem-vindos, senhores! Podem me acompanhar, por favor.

Até ali, o plano estava indo bem. Eles tinham conseguido entrar no estabelecimento sem problemas, e ninguém tinha suspeitado da arma e das bombas escondidas nas roupas. O homem os acomodou em duas cadeiras, e disse:

– Aguardem aqui, por favor. Vou chamar a pessoa que vai atendê-los. Com licença!

O homem se retirou com um sorriso no rosto. Menos de um minuto depois, chegou o garçom.

– Boa tarde, senhores! Sejam bem-vindos à Churrascaria Porco Grill. Eu me chamo Charles e vou atendê-los. Os senhores já conhecem o nosso cardápio?
– Não. É a primeira vez que visitamos este restaurante – disse Ahmed, tentando não levantar suspeita.
– Ah, que bom! A nossa especialidade é carne de porco, como os senhores devem saber. Nós temos aqui uma incrível variedade de pratos preparados por grandes chefs de cozinha. Nós temos pernil assado com batatas, lombo temperado na cerveja, costeleta suína com molho barbecue, leitão recheado à moda da casa, ... – e Charles continuou enumerando os vários pratos de carne de porco que o restaurante oferecia.

Said e Ahmed sabiam que comer carne de porco era terminantemente proibido pela crença islâmica. E aquele restaurante há anos vinha desrespeitando isso, servindo porco diariamente no seu cardápio, no café da manhã, almoço e jantar. Isso caracterizava um tremendo desrespeito e eles tinham que acabar com aquilo o mais rápido possível. Eles tinham que ser um exemplo de boa conduta e defesa da fé. Por isso resolveram ir naquele restaurante na hora de maior movimento, a hora do almoço, e explodir tudo pelos ares.

À medida que o garçom Charles pronunciava as receitas suínas, a paciência de Said ia se esgotando, e ele quase apertou o botão do explosivo. Ahmed percebeu que o irmão estava se precipitando, então segurou a mão dele e disse ao garçom:

– Obrigado pelas sugestões! Não precisa mais continuar. Eu gostaria apenas de alguns minutos para decidir com o meu irmão o que vamos pedir.
– Ah, claro senhor. Fiquem à vontade. Qualquer escolha que fizerem, tenho certeza de que os senhores não vão se arrepender. Com licença!

O garçom se retirou. E os dois irmãos conversaram baixinho, cochichando, para os outros clientes não ouvirem.

– Calma, Said! – disse Ahmed.
– Eu não sou de ferro! Ouvir todas aquelas heresias quase me fez perder a cabeça.
– Vamos manter a calma e seguir o plano. Eu vou pegar a metralhadora agora, começar a atirar, depois você explode tudo, ok?
– Ok?

O restaurante estava lotado. Casais de namorados almoçavam tranquilamente enquanto trocavam juras de amor. Empresários faziam negócios enquanto brindavam com taças de vinho. Pais e mães sorriam para os seus filhos enquanto os ajudavam a comer e limpar a boca. Enquanto isso, Ahmed, silenciosamente, tirou a metralhadora das costas, se levantou e, finalmente, gritou:

Allahu Akbar! Deus é grande! – e começou a atirar em todos.

Dezenas de pessoas foram atingidas: homens, mulheres e crianças. O sangue espirrava para todos os lados. Alguns tentaram se esconder debaixo das mesas, mas o massacre continuava de forma impiedosa. Gritos, correria, pessoas caindo umas por cima das outras, pessoas inocentes morrendo. Quando Ahmed terminou o tiroteio, Said acionou a bomba, e explodiu, matando a si mesmo, o irmão e muitos outros. As estruturas do restaurante foram abaladas pela bomba, o que fez com que desabasse em cima de todos. Não houve sobreviventes. O ataque foi um sucesso.

Nos dias que se seguiram, a comunidade internacional comentou o ocorrido, demonstrando imensa comoção diante do ato criminoso. Chefes de estado de diversos países fizeram seus pronunciamentos, condenando os atos dos extremistas radicais. Pessoas famosas e desconhecidas enviaram suas mensagens pela Internet, fazendo as redes sociais transbordarem em conteúdo. Todos lamentavam bastante as mortes. Pediram liberdade, igualdade e fraternidade. Pediram respeito e tolerância. Pediram, sobretudo, paz.

Mas depois de uns dias, vozes discordantes se levantaram, argumentando que o restaurante tinha exagerado no seu cardápio: era porco demais em várias receitas. Alguns alegavam: “Nem os funcionários do restaurante nem os clientes que se encontravam ali mereciam ter morrido. Mas eles tinham abusado da sua liberdade de degustação”. Outros diziam: “Ninguém merece levar um tiro, ninguém merece explodir com uma bomba. Mas eles tinham desrespeitado a fé alheia”. E ainda: “Aquilo foi horrível, mas não deviam ter brincado com o sagrado”. Um grande pensador e expoente da filosofia mundial, Leonardo Plofft, escreveu um texto onde dizia: “Na religião muçulmana, há um princípio que diz que carne de porco não pode ser comida, de forma alguma, seja bacon, toucinho, pernil, lombo, costela ou de qualquer outra forma, seja assado, defumado, cozido, na feijoada ou em qualquer outra receita. Esse é um preceito central da crença islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Mas isso é motivo para matarem quem come porco? Não. Claro que não. Mas isso foi uma resposta a algo que ofendia milhares de fiéis muçulmanos. Bastava que a justiça tivesse punido o restaurante no primeiro prato que servisse porco, assim como deveria e deve punir todos os açougues, frigoríficos, mercados, lojas de conveniência e outros estabelecimentos que vendam carne suína ou produtos derivados.”

E o debate continua até hoje.

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